Análise Mensal

Soja

Neste informativo, O Prof. Dr. Marcos Fava Neves compartilha os principais números e reflexões tanto para o curto, médio e longo prazos da Cadeia Agroindustrial da Soja a partir do resumo dos fatos de março de 2019

  • Vamos ao resumo dos principais fatos do agronegócio de março, começando com uma volta ao passado para nos contaminar de orgulho. Nossa produção de grãos, quando se analisa o período de 1975 até 2017, pulou de pouco mais de 40 milhões de toneladas para quase 240 milhões. A produtividade cresceu 3,43% ao ano, graças à abertura comercial, tecnologia, mecanização, educação, profissionalização, crédito, pesquisa, empreendedorismo, diversificação da produção e integração de lavouras. Neste mesmo período, as carnes tiveram incrível salto: frango foi de 370 mil para 13,5 milhões de toneladas, suínos de 500 mil para quase 4 milhões de toneladas, e bovina de 1,8 para 7,7 milhões de toneladas.
  • Falando do presente, a estimativa de produção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), está agora está em 233,3 milhões de toneladas, acima da safra 2017/18 (227,7 milhões de toneladas) mas praticamente 1 milhão de toneladas abaixo da estimativa de fevereiro. O tombo principal foi na soja, onde eram esperadas 120 milhões de toneladas e devemos ter 113,5 milhões (safra passada foi de 119,3 milhões). A ABIOVE prevê um pouco mais, 116,9 milhões de toneladas, 1 milhão a menos que o estimado em janeiro, bem como a Agroconsult.
  • Na soja, temos colheita quase finalizada, passando de 80%, e os riscos do clima caíram bastante. O risco mais forte agora é a segunda safra, principalmente no milho que a Conab estima em quase 93 milhões de toneladas, o que seria a segunda maior da nossa história. Com o clima ajudando, este milho abastecerá bem todas as demandas, tanto do mercado interno, externo, rações e produção de etanol. Segundo o IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), o plantio no MS foi concluído com quase 96% plantados na melhor janela.
  • O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados) soltou, no final do mês, as expectativas de plantio para 2019/20. Para o milho, espera-se uma área 4% maior, totalizando 37,56 milhões de hectares e os estoques são de 218,4 milhões de toneladas (caíram 3% em um mês mas estão acima do que previam analistas em mais de 6 milhões de toneladas). Já na soja, a queda deve ser de 5% na área plantada, totalizando 34,24 milhões de hectares. Mas como os estoques estão muito altos (quase 74 milhões de toneladas e 30% maiores que na mesma data do ano passado), este número não alterou o preço. Para o trigo, esperam plantar 4% a menos, total de 18,54 milhões de hectares (estoques também muito altos), bem como 2% menor no algodão, com 18,54 milhões de hectares. A principal boa notícia é a área menor de soja, mas com pouco efeito imediato.
  • Os estoques de grãos no mundo estão em patamar muito confortável, o que força a permanência dos preços provavelmente nos níveis atuais. Pelo USDA, no milho, ao final da safra 2018/19 (agosto deste ano) os estoques estarão acima de 27% da necessidade de demanda anual (caindo 31,4% na safra anterior). Na soja, o estoque estará próximo a 30% do que será necessário em um ano.  Portanto, em preços, se nenhum fato novo aparecer, é estabilidade pela frente.
  • A performance de exportações do Agro continua muito boa, em fevereiro, vendemos US$ 7,2 bilhões, crescimento de 15,6% comparado com o mesmo mês de 2018. As importações também cresceram quase 10,5% e chegaram a US$ 1,2 bilhão. O superávit do Agro cresceu 16,5% em fevereiro, atingindo US$ 6 bilhões. Só de soja foram US$ 2,21 bilhões, o dobro em relação ao ano passado. Pelos dados do MAPA, as carnes atingiram US$ 1,1 bilhão, quase 5% a mais. O café também cresceu 10,4%, atingindo US$ 452,3 milhões. Quem caiu foi o complexo sucroalcooleiro (açúcar e etanol), um total de 22,8% trazendo US$ 425,7 milhões.
  • Desde o início de 2019, exportamos 10,6 milhões de toneladas somando soja, farelo e óleo, quase 50% a mais que o mesmo período de 2018, trazendo US$ 3,9 bilhões, que representa 44,4% a mais. Os preços estão cerca de 3% menores. A China comprou quase 33% de tudo o que foi exportado, um total de US$ 2,3 bilhões, 77,2% a mais que fevereiro de 2018. Mesmo importando 18% a menos de soja do Brasil em fevereiro, a China comprou mais de 5 milhões de toneladas, 134% a mais que fevereiro de 2018. Nos dois primeiros meses do ano vendemos 7 milhões de toneladas, o dobro das quase 3,5 milhões de 2018. Com isto, entraram no Brasil US$ 2,5 bilhões, quase o dobro também dos US$ 1,3 bilhão de 2018. Efeitos dos problemas com os EUA.
  • E este é um dos principais fatos internacionais a serem monitorados. Temos que ter receio de um acordo entre EUA e China e os impactos na área agrícola, pois a China teria que aumentar suas compras dos EUA. E pensar também como seria a trocas de canais, pois a produção adicional americana que iria para a China seria redirecionada em parte de outros mercados compradores, abrindo espaços nestes se tivermos acesso.
  • Sobre China, podem ser muito positivos ao Brasil, os impactos da peste suína africana na sua produção de suínos. Houve já vigoroso crescimento dos preços de exportação. A oferta chinesa em janeiro foi 12% menor, com queda de venda de rações e de compra de soja. Além de crescimento nas compras de carne suína, também foi observado em outras carnes e pela primeira vez a China foi o maior comprador de frango do Brasil, segundo a ABPA.

O “quinteto mágico” a ser observado nos próximos 30 dias: 1) a chuva sobre o milho; 2) andamento das negociações China x EUA; 3) os impactos da peste suína africana na produção e importações chinesas de carnes; 4) o binômio preços do petróleo e adição de mais etanol de milho na gasolina dos EUA; e 5) o andamento das reformas, com impactos na taxa de câmbio e os devaneios tributários sobre o agronegócio.

*Marcos Fava Neves é Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP (FEA-USP/RP), em Ribeirão Preto, e da FGV, em São Paulo, especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio. Confira textos, vídeos e outros materiais no site www.doutoragro.com e pelos perfis do Doutor Agro nas redes sociais.

Análises e conjunturas

soja

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

_

Receba nossas atualizações




%d blogueiros gostam disto: