Marcos Fava Neves / Vinícius Cambaúva

Daniel Bocca Mancini / Caíque Reis Fontão

Milho em 2021/22: 116 milhões de toneladas são esperadas!

Iniciamos nosso boletim de setembro com o destaque para as primeiras estimativas da safra de grãos 2021/22, divulgadas pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A produção total deve atingir 289,6 milhões de t (+14%) em uma área de 71,4 milhões de ha (+4%). No milho, o volume está estimado em 115,96 milhões de t (+33,8%) em uma área total de 20,6 milhões de ha (+3,9%). Já para a soja, é esperada uma produção 141,26 milhões de t (+3,9%) advindas de uma área de 39,91 milhões de ha (+3,6%). Finalmente, no algodão, devemos produzir 2,71 milhões de t (+15,8%) em uma área de 1,55 milhão de hectares (+13,4%).

Também neste mês, a Conab divulgou sua última estimativa para o ciclo 2020/21. Segundo a organização, o milho safrinha deve confirmar uma quebra histórica na produção, com uma redução de 20,8% frente ao volume da safra anterior, totalizando 59,5 milhões de t. No somatório das 3 safras, a produção de milho deve ficar em torno de 85,7 milhões de toneladas, 16,4% a menos que a produção da safra 2019/20.

Com a redução na produção de grãos, principalmente do milho, ocasionado pela crise hídrica e pelas geadas, a produção brasileira de grãos deve fechar 1,8% menor que o ciclo 2019/20, com um volume de 252,3 milhões de toneladas. Para os outros grãos, estima-se os seguintes números: a soja deve fechar a safra com 136 milhões de toneladas (+8,9%); o trigo com 8,15 milhões de toneladas (30,8%); e o algodão em pluma com 2,35 milhões de toneladas (-21,5%).

Já no cenário internacional, em setembro, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reajustou suas expectativas quanto a produção do milho para a safra 2021/22, que no cenário global deve atingir 1.197,76 milhão de toneladas, aumento de 0,98% frente ao relatório de agosto. Estima-se que os estoques fiquem na casa dos 297,62 milhões de toneladas, crescimento de 4,57% em relação ao relatório anterior.

Para o Brasil, a expectativa do USDA é de uma produção de 118 milhões de toneladas, aproximadamente 9,9% do total produzido no mundo, enquanto na Argentina, estima-se uma produção de 53 milhões de toneladas, 4,4% do total.

Para a soja, o USDA prevê uma produção global de 384,42 milhões de toneladas, com estoques de 98,89 milhões de toneladas. O Brasil deve produzir 144 milhões de toneladas (37,5% do total), enquanto que a Argentina deve entregar 52 milhões de toneladas (13,5%).

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) revisou para cima o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP). Na estimativa de agosto, o valor foi apontado em R$ 1,106 trilhão, crescimento de 9,7% em relação ao registrado em 2020. As lavouras devem faturar aproximadamente R$ 750 bilhões (+11,9%), enquanto que a pecuária vai responder por R$ 256 bilhões (+5,4%). Segundo o Mapa, o VBP do milho deve ficar em R$ 122,9 bilhões em 2021 (+ 6,8%), o terceiro maior valor entre todas as cadeias do agro brasileiro; apenas atrás da carne bovina (R$ 155 bilhões) e da soja (R$ 362 bilhões).

Nas exportações do mês de agosto, o agronegócio trouxe cifra recorde de US$ 10,90 bilhões, um crescimento de 26,7% em comparação ao mesmo mês de 2020, segundo dados do Mapa (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento). Os preços 27,1% superiores continuam a sustentar o incremento de receita das vendas externas, já que o volume embarcado registrou queda de 2,9%.

O complexo soja manteve a liderança na pauta de exportação, com US$ 4,02 bilhões sendo comercializados (+53,6%), sendo a soja em grãos responsável por 78% desse resultado. Na segunda posição estão as carnes, que bateram recorde para o mês, alcançando US$ 2,09 bilhões (+40,5%). Produtos florestais aparecem em terceiro, vendendo US$ 1,25 bilhão (+40,5%). Na sequência, cereais, farinhas e preparações foram responsáveis pela exportação de US$ 932,5 milhões (-14,3%), queda pela redução de embarques de milho visto a situação de oferta apertada. E fechando o top 5, na quinta colocação, o complexo sucroenergético exportou US$ 912,2 milhões (-9,0%). Ao final, o agronegócio entregou um superávit de US$ 9,65 milhões para a balança comercial brasileira, 25,5% superior àquele evidenciado no mesmo mês de 2020.

Olhando especificamente para o milho em grão, o Brasil exportou 4,334 milhões de toneladas em agosto (-30,6%), arrecadando US$ 842 milhões (-15,45%); quando comparamos com o agosto de 2020, temos 6,247 milhões de toneladas exportadas, com uma receita de US$ 995 milhões. Já em julho de 2021, no mês anterior, foram exportados 1,983 milhões de toneladas, com receita de US$ 400 milhões.

No início de setembro, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) reportou que a colheita do milho safrinha já está praticamente concluída no país, com 97% dos campos colhidos até o dia 11/09; na mesma data de 2020, o valor era de 94,9%. No maior produtor, Mato Grosso a colheita já foi finalizada; no Paraná, segundo colocado, temos 93% da área colhida, frente 89% registrado ano passado; e no terceiro, Goiás, a colheita total do cereal já foi concluída.

A Unica (União das Indústrias de Cana de Açúcar) emitiu seu boletim de acompanhamento da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, indicando uma produção de 135,65 milhões de litros de etanol à partir do milho na segunda quinzena de agosto, totalizando 6,08% do total. Desde o início da safra, a região Centro-Sul registra uma produção de 18,65 bilhões de litros de etanol, sendo 1,29 bilhão de litros (6,9%) fabricados tendo o milho como matéria-prima.

Prestes a iniciar o plantio da safra verão, a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) emitiu um novo alerta sobre a presença da cigarrinha do milho nos campos da região Sul, especialmente no estado de Santa Catarina; vale lembrar que a praga causou prejuízos de até 70% na produção em algumas localidades do estado em 2020/21. O inseto é o vetor das doenças do complexo enfezamento, que pode prejudicar significativamente o desenvolvimento das plantas e a sua produtividade.

Outro fato marcante foi a publicação, pelo Mapa, do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para o milho 1ª safra. O zoneamento tem por objetivo reduzir os riscos com problemas climáticos, evidenciando ao produtor e ao segurador a melhor época para fazê-lo, de acordo com a região do país e o tipo de solo. Para consultar as datas na sua região, basta acessar o painel do ZARC no site do Ministério da Agricultura em: indicadores.agricultura.gov.br/zarc

No aspecto da logística, em estudo recente, a CNA (Confederação Nacional da Agricultura) estimou que, havendo maior disponibilidade de trens para transportar as commodities do Centro-Oeste para os portos e às regiões consumidores, o custo do transporte poderia ser reduzido entre 40% e 50%. Enquanto um caminhão transporta de 35 a 40 toneladas de soja e milho, um trem com 86 vagões carregaria o equivalente a 170 caminhões.

No fechamento da nossa coluna em 18 de setembro, o indicador ESALQ/B3 para o milho estava cotado em R$ 93,71/saca, ante R$ 99,89/saca no mesmo dia do mês passado, uma desvalorização de 6,19%. Quando estendemos a comparação ao mesmo dia de 2020, temos a cotação de R$ 58,88/saca, uma diferença de 59,15% para os dias atuais. Já o relatório da primeira quinzena de setembro, emitido pela Scot Consultoria, nos mostra que os preços médios do DDG (MT e GO) estão em R$ 1.815,10/tonelada, aumento de 3,6% em comparação aos últimos quinze dias de agosto.

Os cinco fatos do milho e do agro para acompanhar diariamente em setembro/outubro são:

  1. O início e a evolução do plantio de milho verão no Brasil; a falta de chuvas tem limitado o avanço das operações em diversas regiões do país e os produtores seguem aguardando para avançar com a semeadura do cereal.
  2. A conclusão da safra brasileira em 2020/21: os resultados finais de produção, produtividade, estoques e impactos no mercado de grãos.
  3. O andamento das lavouras de milho nos Estados Unidos, especialmente agora que estão em momento de início da colheita. Na última semana, o USDA reduziu de 59% para 58% as condições boas/excelentes para as áreas de milho. Há um ano, eram 60%.
  4. O desempenho exportador do Brasil para os grãos, especialmente para o milho. Em agosto, os embarques do grão foram 30,6% menores em termos de volume.
  5. Acompanhar outros fatores da economia e mercados: crise institucional (política), o câmbio e as perspectivas econômicas com a aceleração da vacinação.

Marcos Fava Neves é Professor Titular (tempo parcial) da Faculdade de Administração da USP (Ribeirão Preto) e da EAESP/FGV, especialista em planejamento estratégico do agronegócio.

Vinícius Cambaúva é Engenheiro Agrônomo e Consultor Associado na Markestrat Group.

Daniel Bocca Mancini e Caíque Reis Fontão são estagiários na Markestrat Group.

*Este conteúdo é parte integrante do projeto Somos Milhões, uma iniciativa da Nidera Sementes, e que conta com a participação da Markestrat Group. Nosso agradecimento a todos os envolvidos nesse importante movimento em prol da cadeia brasileira de milho.

Análises e conjunturas

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