Marcos Fava Neves / Vinícius Cambaúva
Daniel Bocca Mancini / Caíque Reis Fontão
Milho verão: plantio caminha para 50% no Brasil!
Iniciamos o nosso boletim de outubro dando destaque para a 1ª estimativa da safra de grãos 2021/22, que foi divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produção total de grãos está estimada em 288,6 milhões de t (+14,2%), em uma área de 71,5 milhões de ha (+3,6%). Para o milho, especificamente, o volume esperado é de 116,3 milhões de t (+33,7%), e uma área total cultivada de 20,8 milhões de ha (+4,7%); sendo que a produção em cada período está distribuída da seguinte forma: 28,3 milhões de t para a 1ª safra e área de 4,41 milhões de ha; 86,3 milhões de t para a 2ª safra e área de 15,8 milhões de ha; e 1,7 milhão de t do cereal na 3ª safra, com uma área de 584 mil ha. Para a soja, a expectativa é de uma produção em torno de 140,75 milhões de t (+2,5%), em uma área de cerca de 40,0 milhões de ha (+2,5%). Por fim, o volume esperado para a pluma de algodão é de 2,68 milhões de t (+13,7%), fruto da área plantada estimada em 1,51 milhão de ha (+10,2%).
No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) emitiu seu relatório de outubro com estimativa da produção global de milho para a safra 2021/22 em 1.198,22 milhões de t, aumento de 0,04% frente a parcial de setembro e 7,4% maior que o volume produzido no ciclo anterior. As principais novidades deste relatório foram: aumento de 0,1% na produção estimada dos EUA, agora avaliada em 381,5 milhões de t (+6,4%); e acréscimo na produção da União Europeia, de 1,2% na comparação com o relatório anterior, agora estimada em 66,3% (+2,9%). As produções da China, Brasil e Argentina foram mantidas conforme projeções do mês anterior, em 273 milhões de t (+4,7%), 118 milhões de t (+37,2%) e 53 milhões de t (+6,0%), respectivamente. Já os estoques globais foram ampliados para 301,7 milhões de t; contra 297,6 milhões do relatório anterior e 289,9 milhões da safra 2020/21.
Na soja, o USDA ampliou a produção norte-americana no ciclo 2021/22 em 1,7% neste mês; de 119,04 para 121,06 milhões de t. Os volumes foram mantidos para o Brasil em 144 milhões de t (+5,1%). Já a produção da Argentina foi reduzida em 1 milhão de t; de 52 milhões de t (setembro) para 51 milhões neste mês (-1,9%). Com isso, a produção global da oleaginosa deve ficar em 385,1 milhões (+5,4%) e os estoques em 104,6 milhões de t (+5,4%).
Na atualização de setembro emitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Valor Bruto da Produção (VBP) Agropecuária de 2021 foi estimado em R$ 1,103 trilhão, crescimento de 10,0% em relação ao ano passado. As cadeias de produção agrícola (lavouras) devem responder por 67,7% desse total, com R$ 746,82 bilhões (+12,0%), dos quais o milho participa de 16,3%, com R$ 121,57 bilhões, alta de 6,2% em comparação com 2020; é a segunda cadeia com maior VBP entre as lavouras, apenas atrás da soja. Por outro lado, a produção pecuária será responsável pelos outros 33,3%, um VBP de R$ 356,71 bilhões (+6,1%).
No comércio internacional, o Brasil exportou 2,84 milhões de t de milho em setembro, redução de 55,3% na comparação com o mesmo mês de 2020, reflexo da quebra na produção do cereal. Enquanto isso, a receita com os embarques de setembro foi de US$ 533,75 milhões, 48,3% menor na comparação com setembro do ano passado. No acumulado do ano (janeiro até setembro), exportamos 12,81 milhões de t (-35,4%) e arrecadamos US$ 2,49 bilhões (-22,4%).
No total para o agronegócio brasileiro, as exportações atingiram novo recorde para o mês, de US$ 10,10 bilhões, sendo 21% superior à cifra do mesmo período de 2020, de acordo com dados do Mapa. Esse resultado é atribuído principalmente ao aumento nos preços internacionais das commodities (+27,6%), uma vez que o volume de produto embarcado caiu (-5,1%). Os produtos mais exportados foram: em 1° lugar o complexo soja, com US$ 3,19 bilhões (+50%); na 2ª posição temos as carnes, que registraram novo recorde para o mês com US$ 2,21 bilhões (+62,3%); em 3° aparecem os produtos florestais, somando US$ 1,15 bilhão (+23,8%); na sequência (4°), o complexo sucroenergético vendeu US$ 965 milhões (-10,1%); e na 5ª posição estão os cereais, farinhas e preparações com US$ 624,19 milhões (-43,2%). As importações do agro, por sua vez, totalizaram US$ 1,25 bilhão (+19,2%), o que resultou em um saldo positivo de US$ 8,85 bilhões em setembro (+16,3%).
No campo, os produtores seguem avançando com o plantio da safra verão em diversas regiões do país. Segundo a consultoria Safras & Mercado, até 11 de outubro, 44,4% da área total de milho no Brasil já havia sido semeada, contra 40,9% no mesmo período do ano passado e 42,1% na média dos últimos 5 anos. O estado do Rio Grande do Sul, principal produtor do cereal na 1ª safra, encontra-se com 77,4% das áreas plantadas; Paraná aparece na segunda posição com 70,8%; e Santa Catarina fecha o top 3 com 67,3% de progresso. São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais estavam em estágio inicial de operações, com evolução entre 1,0 à 3,0% de progresso. No Mato Grosso, os trabalhos ainda não haviam sido iniciados.
Na Argentina, o Ministério da Agroindústria local estima que 28,0% das áreas de milho já foram semeadas até o momento, de uma área total estimada em 10,08 milhões de ha neste ciclo. O avanço é de 5 pontos percentuais no comparativo de progresso da semana passada.
De volta ao Brasil, o relatório da União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica) indica que foram produzidos 148,27 milhões de litros de etanol de milho na segunda quinzena de setembro. Desde o início da safra, a região Centro-Sul registra uma produção de 22,79 bilhões de litros de etanol, sendo que 1,63 bilhão de litros (7,15%) foram produzidos com o cereal.
Recentemente, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgou um relatório onde mostra que o controle da cigarrinha do milho no ciclo passado (2020/21), elevou os custos de produção em até R$ 200 por ha em algumas regiões do Brasil. No sul do país, os produtores registraram perdas de até 40% na última safra, por conta da presença do inseto. Especialistas afirmam que estamos no momento mais importante para observação da praga no campo, uma vez que a contaminação dos complexos de enfezamento ocorre de forma mais agressiva nos estádios iniciais da cultura.
Outro destaque do último mês foi a publicação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), agora para o milho de 2ª safra. O Zarc tem por objetivo indicar as janelas mais adequadas para o plantio das culturas, e é também uma ferramenta muito útil nas políticas de seguro agrícola. Para consultar as datas na sua região, basta acessar o painel do ZARC no site do Ministério da Agricultura em: indicadores.agricultura.gov.br/zarc
Do lado das vendas, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou recentemente um relatório com a comercialização do milho da safra 2020/21, que já está com mais de 89,21% da sua produção negociada. O preço médio negociado obteve uma retração de 1,94% frente a agosto, fechando em R$ 72,31/saca. Para a safra 2021/22, o instituto estima que 32,8% da produção já se encontra vendida, com preço médio de R$ 58,72/saca.
Para fechar nossa coluna, no dia 15 de outubro, o milho atingiu R$ 90,18/saca (60kg) no indicador ESALQ/B3, frente aos R$ 93,43 registrados no mesmo dia do mês de setembro, queda de 3,5% na comparação mensal. No comparativo com a mesma data de 2020 (R$ 70,30/saca), podemos observar uma valorização do cereal em 28,3%. Outros produtos do agro fecharam cotados em: soja com R$ 168,55/saca; algodão em R$ 5,96 por libra-peso; e o boi gordo em R$ 266,80 por arroba. Por fim, segundo a Scot Consultoria, os preços médios do DDG (MT e GO) na segunda quinzena de setembro, fecharam em R$ 1.805,13/t, queda de 0,55% na comparação com a quinzena anterior.
Os cinco fatos do milho e do agro para acompanhar diariamente em Outubro/Novembro são:
- A evolução do plantio da safra verão no Brasil; aparentemente, estamos em ritmo melhor que do ano passado, mas este é o principal ponto, uma vez que atrasos na 1ª safra podem prejudicar o plantio da 2ª, onde está cerca de 75% da produção de milho.
- Acompanhamento do clima e do regime de chuvas; a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) estima mais de 70% para a ocorrência do La Niña no Brasil nos próximos meses, o que pode restringir as chuvas no Centro-Sul.
- A finalização na colheita da safra nos EUA; os relatórios mais recentes do USDA indicam que 41,0% do milho e 49,0% da soja já foram colhidos.
- Impactos da crise energética na China e na Índia na economia global e nos custos de produção no agro; a tendência é de elevação nos preços de insumos como fertilizantes e defensivos, uma vez que muitas indústrias se concentram nestes países.
- Seguir acompanhando fatores da economia e mercados: crise institucional (política), o câmbio e as perspectivas econômicas com a aceleração da vacinação.
Marcos Fava Neves é Professor Titular (tempo parcial) da Faculdade de Administração da USP (Ribeirão Preto) e da EAESP/FGV, especialista em planejamento estratégico do agronegócio.
Vinícius Cambaúva é Engenheiro Agrônomo e Consultor Associado na Markestrat Group.
Daniel Bocca Mancini e Caíque Reis Fontão são estagiários na Markestrat Group.
*Este conteúdo é parte integrante do projeto Somos Milhões, uma iniciativa da Nidera Sementes, e que conta com a participação da Markestrat Group. Nosso agradecimento a todos os envolvidos nesse importante movimento em prol da cadeia brasileira de milho.
