Boas perspectivas para a oferta do milho em 2021/22!

Marcos Fava Neves

Vinícius Cambaúva

Daniel Bocca Mancini

Clara Guerreiro

Iniciamos o nosso resumo mensal com as estimativas de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para safra global 2021/22, onde a produção de milho nos EUA foi revista de 381,5 (relatório anterior) para 382,6 milhões de t (+0,3%). A produção na União Europeia também foi acrescida, saindo de 66,3 milhões de t para 67,9 milhões de t (+2,4%). A Argentina de 53,0 para 54,5 milhões de t (+2,8%). Brasil e China tiverem seus números mantidos em 118 e 273 milhões de t, respectivamente. Com isso, a produção global de milho deve ficar em 1.204,62 milhões de t; 7,6% maior que 2020/21. Já as estimativas para os estoques globais do cereal estão em 304,4 milhões de t, crescimento de 4,3% em relação ao ciclo passado.

Na soja, o órgão americano estimou a oferta global em 384,01 milhões de t na safra 2021/22, crescimento de 4,8% em relação ao ciclo passado. Já os estoques finais devem ficar em 103,8 milhões de t, também acima da safra passada, em 3,7%. Ou seja, milho e soja vem vindo com bons crescimentos em relação à safra anterior!

No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de grãos da safra 2021/22 irá atingir 289,8 milhões de t, um incrível crescimento de 14,8% frente à temporada passada. Se tudo correr bem, teremos 37 milhões de t de grãos a mais. O salto na área produtiva também é impressionante, de 69 milhões de hectares na safra 2020/21 para quase 71,85 milhões nesta (+4,1%). Na cultura do milho, a produção está estimada em 116,7 milhões de toneladas, volume 34,1% maior que o registrado no ciclo passado. Desse total, a primeira safra deve entregar 28,6 milhões de t (+15,7%), alcançando área cultivada de 4,35 milhões de hectares (+2,5%); e as segunda e terceira safras produzirão 88,1 milhões de toneladas (+41,4%), em uma área de 16,43 milhões de hectares (+5,5%).

Já na cultura da soja, a produção deve totalizar recorde de 142 milhões de t (+3,4%), em uma área cultivada de 40,3 milhões de hectares (+3,5%). O algodão, por sua vez, irá entregar uma produção de pluma 12,6% superior, somando 2,65 milhões de t, em consequência do aumento da área de plantio em 9,3%, que ficou em 1,5 milhão de hectares. Expectativas são altas para a consolidação de uma supersafra!

Para 2022, o Rabobank estima um cenário de preços mais pressionados para o milho, e se distanciando dos recordes vistos neste ciclo, acima de R$ 100/saca; com uma reposição de estoques mais lenta e forte posição comprada da China sobre o cereal americano, os preços tendem a se manter entre US$ 5,35 e US$ 5,50/bushel. Esse cenário devem ainda deixar as margens apertadas para as cadeias de produção animal, mas provavelmente menos que nestes últimos tempos. O banco estima uma produção de 116 milhões de t neste ciclo; a recuperação das exportações brasileiras, que devem ficar próximas de 40 milhões de t; e uma produção adicional entre 500 a 600 milhões de litros para o etanol de milho. O consumo interno do cereal deve ficar em torno de 74 milhões de t no próximo ano (+2,8%).

A China deve importar 26 milhões de t de milho em 2022, volume bastante significativo, mas que é 11,9% menor do que o estimado pelo banco para este ano. Os EUA devem continuar sendo o principal fornecedor do cereal para o país asiático, mas o Brasil deve ocupar uma parte relevante, graças ao aumento expressivo na oferta do grão.

segundo o Rabobank

No mês de outubro, o Brasil exportou 1,79 milhão de t de milho, redução de 64,2% no comparativo com o mesmo mês de 2020. Em termos de receita, arrecadamos US$ 376,27 milhões, queda de 54,4% no comparativo com outubro do ano passado. Ainda assim, os preços médios da tonelada embarcada foram superiores, em 27,3%, fechando em US$ 210,10 por t. No acumulado do ano, entre janeiro e outubro, nosso país exportou 14,60 milhões de t de milho (-41,2%) e registrou receitas de US$ 2,87 bilhões (-29,0%).

Na visão geral do agronegócio brasileiro, os embarques alcançaram US$ 8,84 bilhões em outubro, valor recorde para o mês (mais uma vez!), crescimento 10,0% em relação ao mesmo mês de 2020. No top 5 dos produtos que mais arrecadaram, temos: na liderança, o complexo soja com US$ 2,47 bilhões (+75,7%); na segunda posição estão as carnes, que exportaram US$ 1,51 bilhão (+3,6); em terceiro, ficaram os produtos florestais, com US$ 1,20 bilhão (+17,3%); na quarta colocação aparece o complexo sucroalcooleiro, com vendas em US$ 910,9 milhões (-30,0%); e em quinto, temos o café, que exportou US$ 606,7 milhões (+18,9%). 

As importações, por sua vez, somaram US$ 1,4 bilhão em outubro, crescimento de 16,7% em comparação com o mesmo mês de 2020. Como resultado, o agro brasileiro entregou um saldo positivo de US$ 7,44 bilhões (+8,8%). No acumulado de 2021 (janeiro – outubro), as exportações do agro brasileiro somam US$ 102,36 bilhões, crescimento de 19,5% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Com este valor, alcançamos também o recorde histórico nas exportações totais do setor, superando todos os anos anteriores!

Em outubro, o Brasil importou 503 mil t de milho, uma alta de 163,0% na comparação com o mesmo mês de 2020, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em relação aos preços pagos para importação, nosso país dispendeu US$ 238,40 por t, aumento de 81,9% na comparação com outubro de 2020. No acumulado, entre janeiro e outubro, o Brasil importou 2,1 milhões de t de milho, crescimento de 133,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou suas primeiras estimativas para o Valor Bruto da Produção Agropecuária em 2022, que deve ser de R$ 1,169 trilhões, alta de 4,4% frente ao valor estimado para 2021. Desse total, as lavouras devem representar 68,7% com um VBP total de R$ 803,6 bilhões; e as cadeias da pecuária participam com os outros 31,3%, ou em valores, R$ 365,4 bilhões. Olhando especificamente para a cadeia do milho, o salto entre 2021 e 2022 deve ser de 21,3%; no próximo ano, o milho vai entregar um VBP de R$ 150,6 bilhões, 18,7% de total das cadeias de produção agrícola.

No campo, segundo estimativas da Datagro, o plantio de milho verão 2021/22 havia alcançado 94,1% da área total do Brasil até 12 de novembro, valor bastante acima do progresso registrado na mesma data do ciclo passado, que era de 83,3%; e também maior que a média dos últimos 5 anos, de 80,5%. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre os principais estados produtores, os que apresentaram maior avanço no plantio do cereal até o momento são: Paraná com 98,0%; São Paulo com 97,0%; e Santa Catarina, com avanços de 94,0%. No maior produtor de milho verão, Rio Grande do Sul, o progresso é de 84,0%.

No Paraná, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), o plantio de milho na safra verão já está concluído. Neste ciclo, o estado está cultivando 423 mil hectares e deve produzir 4,1 milhões de t; alta de 32% em relação ao mesmo período do ano passado. Se os resultados forem confirmados, a produtividade no estado ficará em torno de 9,7 t por hectare. Atualmente, 96% das lavouras encontram-se em condições boas e os outros 4% em condições medianas em termos de qualidade.

Já no Mato Grosso, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Aplicada (Imea), a comercialização antecipada do milho do ciclo 2021/22 atingiu 36,7% do total em outubro; a média mensal caiu 3,9% na comparação com setembro, graças ao otimismo dos produtores em vista do avanço no plantio da soja. Em relação à produção do ciclo passado (2020/21), 92,1% do volume produzido pelo estado já foi comercializado.

De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), com dados até a segunda quinzena de outubro, a produção acumulada de etanol na safra 2021/22 alcançou 25,1 bilhões de litros, sendo que 10,0 bilhões são do tipo anidro (39,8%) e outros 15,1 bilhões do hidratado (60,2%). Do total produzido até o momento, 1,94 bilhões de litros (7,7%) tiveram o milho como matéria-prima.

No fechamento da nossa coluna, no dia 19 de novembro de 2021, a cotação do milho estava em R$ 82,84/saca (60kg), queda de 8,2% em relação à mesma data do mês anterior (R$ 90,21/saca), mas alta de 15,9% na comparação com 19 de novembro de 2020; vale ressaltar que, recentemente, os preços do milho sofreram algumas quedas no mercado internacional, especialmente nas cotações em Chicago, após a divulgação de que houve uma redução na produção do etanol de milho nos EUA. Outros produtos do agro ficaram cotados em: soja (Indicador Paranaguá) fechou em R$ 167,72/saca (queda de 1,6% na comparação com a mesma data do mês anterior); o algodão em R$ 6,09/libra-peso (+2,5%); e o boi gordo em R$314,15/arroba (+15,3%). Já o DDG fechou cotado em média de R$ 1.765,62 em outubro para os estados de Goiás e Mato Grosso, queda de 2,2% em relação ao mês de setembro, segundo relatório quinzenal da Scot Consultoria.

Os cinco fatos do milho e do agro para acompanhar diariamente em dezembro são: 

  1. Conclusão da semeadura da safra verão de grãos no Brasil e as condições das lavouras ao longo do próximo mês. Vale lembrar que a agilidade no plantio de soja, neste ciclo, deve proporcionar maior janela de cultivo e boas condições para o milho 2ª safra.
  2. Disponibilidade de insumos! Muitos produtores já estão de olho na safrinha, mas a oferta de defensivos e fertilizantes ainda está limitada e os preços subiram muito. No caso da Ureia (muito utilizada no milho), os preços já acumulam alta de 185% em 2021.
  3. Acompanhamento do clima, especialmente porque as atualizações nas projeções do NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) indicam que há 90% de chance da ocorrência da La Nina no final deste ano.
  4. Situação das exportações de carne bovina, com a continuidade na suspensão das importações da China e a possibilidade da abertura de novos mercados (como a Rússia). A baixa na cadeia da bovinocultura de corte pode afetar o consumo do cereal.
  5. Continuar acompanhando outros indicadores da economia nacional que afetam a produção agrícola (câmbio, PIB, inflação e outros), além de olhar para o âmbito global com a situação da crise energética na China (escassez de carvão, preços do petróleo, do gás natural e outros) e o aumento de casos do coronavírus na Europa e Ásia.

Marcos Fava Neves é Professor Titular (tempo parcial) da Faculdade de Administração da USP (Ribeirão Preto) e da EAESP/FGV, especialista em planejamento estratégico do agronegócio. 

Vinícius Cambaúva é Engenheiro Agrônomo e Consultor Associado na Markestrat Group.

Daniel Bocca Mancini e Clara Guerreiro são estagiários na Markestrat Group.

*Este conteúdo é parte integrante do projeto Somos Milhões, uma iniciativa da Nidera Sementes, e que conta com a participação da Markestrat Group. Nosso agradecimento a todos os envolvidos nesse importante movimento em prol da cadeia brasileira de milho.

Análises e conjunturas

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